Foi em 11 de setembro de 1968, em pleno ano de AI-5, que foi lançada a primeira edição da Revista Veja. Neste mesmo dia, em 1941, nasceu o jornalista Tarso de Castro, um dos fundadores de O Pasquim; em 1961, nasceu Virginia Madsen, atriz dos recentes "Evocando Espíritos" e "Número 23". Moby também é desta data, de 1965, assim como Richard Ashcroft, do The Verve, nascido em 1971.
Parabéns a parte, o dia de hoje desvia seu foco principal para outro acontecimento. Em 2001, numa terça-feira, George W. Bush não retornou ao seu posto na Casa Branca. Isso porque, por volta das 9h, as famosas torres gêmeas e seus 110 andares (cada uma) foram postos abaixo. Aviões sequestrados por terroristas atravessaram as estruturas do World Trade Center.
Mas, afinal, passado o susto, o que significou tudo aquilo? Para o sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP Demétrio Magnoli, a data representou coisas diferentes para pessoas diferentes. "Para os neoconservadores que orientaram Bush e continuam com sua facção, mesmo fora do poder, a data foi o principal tiro de uma guerra entre civilizações. Foi o que deu um sentido à política externa de Bush. Já para uma outra corrente que existe no Ocidente, há uma conspiração dos próprios Estados Unidos para ter um pretexto de controle de petróleo. Essa visão encontra muitas vezes guarida em intelectuais de esquerda. Eu acho que foi uma grande tragédia e muita gente acaba percebendo que essas duas ideias são falsas. Na verdade, isso tudo assinala o que acontece no interior do mundo muçulmano, onde há uma disputa entre aqueles que querem modernizar a sociedade e aqueles que recusam essa modernização, que eu chamo de grupos jihadistas", explica.
Na época, de acordo com Magnoli, a reação dos Estados Unidos, quase histérica, foi de proteção nacional. "Os americanos não tinham experiência de ataque no próprio solo, como a Europa, por exemplo", conta. E foi a partir daí que começaram os ataques ao Iraque, com o que o ex-presidente chamou de "Guerra contra o Terror".
"O fracasso desse sistema do Bush levou os americanos a repensarem o 11 de setembro. Hoje, Barak Obama diz que o Afeganistão é uma guerra de necessidades, por outro lado, o Iraque diz que é uma guerra de escolhas (má escolha). Essa é a diferença. Obama não vê como uma guerra contra o terror possa ser vencida com as armas, mas sim com as ideias", completa.
Em 2001, na semana em que ocorreram os ataques, a Revista Veja publicou em sua capa especial a seguinte frase: "os americanos prometem acabar com os países que abrigam terroristas". Hoje, essa frase tem um significado maior. "Ela está escrita no tempo aberto pelo 11 de setembro, que proclamava com Bush que liberdade e democracia são valores do Ocidente. Essa visão foi experimentada e fracassou", ressalta Magnoli, completando ainda que o terror global existe, mas como uma ameaça verdadeira inclusive às sociedades árabes e muçulmanas.
Hoje, vale questionar o choque de civilizações entre o Ocidente e o Islã. "O discurso do presidente Obama no Cairo é uma revisão teórica do conceito. Ele disse que os povos compartilham culturas históricas comuns que abrem ideias de democracia para o mundo todo", finaliza o sociólogo.
Curiosidades e lendas
Como toda grande tragédia, não demorou muito para começarem as lendas sobre o 11 de setembro, além de histórias que se pode parar para pensar. Entre as bizarrices, foram publicadas imagens onde aparecia a figura de um demônio em meio ao fogo levantado pelo choque com os aviões. Os mais místicos, no entanto, foram atrás dos números: dia do ataque: 11/ New York City tem 11 letras/ Afeganistão (ou Afghanistan) tem 11 letras/ The Pentagon (Pentágono) tem 11 letras/ George W. Bush tem 11 letras... E por aí vai.
Entre as curiosidades, pode-se citar o próprio Pentágono, sede da Secretaria da Defesa dos Estados Unidos alvo de um terceiro avião. O que se diz é que o buraco causado pelo choque era totalmente redondo, portanto, é impossível que um avião tenha deixado aquela marca, já que suas asas teriam derrubado parte da estrutura. Supõe-se que, na verdade, um míssil teria atingido o local, que tem acesso restrito em período integral.
Uma história como essa daria bons filmes. Então, o cinema não poderia ficar de fora e algumas coisas foram lançadas neste sentido. "Fahrenheit 11 de Setembro (Fahrenheit 9/1)", de Michael Moore, é um documentário que analisa a administração Bush após os ataques, trazendo alguns esclarecimentos sobre a data. Já "Vôo United 93 (United 93)", de Paul Greengrass, traz a história dos passageiros de um dos aviões sequestrados na data. O filme "11 de Setembro" inclui, ainda, 11 curtas que abordam diferentes aspectos sobre os ataques.
E para você? O que ficou desta data?
por Kleber




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